Como emitir NFC-e no PDV — guia passo a passo.

Publicado em 18 de abril de 2026 · 9 min de leitura

A Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (NFC-e, modelo 65) substitui o antigo cupom fiscal em papel para vendas ao consumidor final. Em teoria é simples: um XML assinado e transmitido à SEFAZ. Na prática, é onde a maioria das PMEs trava na primeira semana do novo PDV. Esse guia resolve os nós mais comuns.

1. O que você precisa antes de começar

  • Certificado digital do CNPJ — A1 (arquivo .pfx, renovação anual) ou A3 (cartão/token, renovação a cada 3 anos). O A1 funciona melhor em PDV porque não depende de hardware físico no caixa.
  • Inscrição estadual ativa — consulte no SINTEGRA do seu estado.
  • CSC (Código de Segurança do Contribuinte) — emitido pela SEFAZ, usado para gerar o QR-code da NFC-e. Tem dois: um para homologação (testes) e outro para produção.
  • Regime tributário definido — Simples Nacional (CRT 1), Simples com excesso de sublimite (CRT 2), Regime Normal (CRT 3) ou MEI (CRT 4).

2. Configurar o certificado no Automatiza

No painel, vá em PDV → Configurações fiscais → Certificado. Faça upload do arquivo .pfx e informe a senha. O sistema valida imediatamente a cadeia ICP-Brasil e mostra validade, CNPJ e razão social embutidos. Se o certificado estiver próximo de vencer (<30 dias), um alerta aparece no dashboard.

Dica: guarde o .pfx fora do PDV. Em caso de formatação da máquina, você não fica sem conseguir emitir — basta re-upload. Nunca envie o .pfx por e-mail nem deixe em pasta compartilhada.

3. Cadastrar empresa e configurar alíquotas

Ainda em Configurações fiscais, preencha o bloco Empresa emitente:

  • Razão social e nome fantasia;
  • Endereço completo (a SEFAZ valida o CEP contra o cadastro da Receita);
  • CNAE principal;
  • Regime tributário (CRT) e, se Simples, a alíquota efetiva vigente;
  • Inscrição estadual e, se for o caso, municipal.

No bloco Tributação, configure as alíquotas padrão de ICMS, PIS e COFINS para cada CFOP utilizado em varejo (5102, 5405, 6102, 6108…). Se seus produtos têm CST/CSOSN específicos (substituição tributária, isenção, suspensão), cadastre no nível do produto — o PDV aplica a regra correta automaticamente.

4. Homologação: ensaiando antes da produção

Marque a flag Ambiente: Homologação. Toda NFC-e emitida nesse modo vai para o webservice de testes da SEFAZ do seu estado — não gera obrigação fiscal. Emita pelo menos:

  1. Uma venda simples com 1 item e pagamento à vista;
  2. Uma venda com múltiplos itens e múltiplas formas de pagamento (PIX + dinheiro, por exemplo);
  3. Um cancelamento dentro do prazo legal (24h);
  4. Uma venda em contingência offline (desliga a internet, emite, religa, vê se o XML é transmitido).

Se todos os quatro forem aceitos pela SEFAZ (protocolo 100 = autorizado), você está pronto para produção.

5. Virar para produção

Troque a flag para Ambiente: Produção e informe o CSC de produção. A próxima venda gera uma NFC-e real, autorizada, com DANFE impresso (em impressora térmica 58mm ou 80mm) contendo o QR-code consultável pelo consumidor.

6. Contingência offline

A SEFAZ pode estar fora do ar. Nesse momento, vender sem emitir NFC-e não é uma opção legal. O Automatiza usa o modo EPEC (Evento Prévio de Emissão em Contingência) ou SVC-RS/SVC-AN (SEFAZ Virtual de Contingência), a depender do seu estado. Configuramos automaticamente — você só emite.

No painel, o PDV mostra um badge amarelo "🟠 Contingência" quando está transmitindo offline. Ao voltar a conexão, os XMLs acumulados são enviados em lote em no máximo 24h, conforme exige a legislação.

7. Cancelamento e inutilização

  • Cancelamento: dentro de 24h da autorização, o operador pode cancelar pelo PDV com justificativa (>=15 caracteres). Gera evento de cancelamento vinculado à NFC-e.
  • Inutilização de numeração: se a SEFAZ rejeitar a transmissão e você precisar "pular" um número da série, use Admin → Fiscal → Inutilizar numeração.

8. Conciliação com o financeiro

Cada NFC-e autorizada gera automaticamente um lançamento em Financeiro → Receitas, dividido pelo meio de pagamento. PIX cai imediato. Cartão, de acordo com a régua de D+N que você configurou (ex: crédito = D+30, débito = D+1). Boleto/dinheiro geram conta a receber aberta.

Ao final do dia, Fechamento de caixa no PDV confere: total de vendas × total cadastrado em meios de pagamento. Diferença aparece em destaque com cada venda suspeita linkada.

Checklist rápido

  • ☑ Certificado A1/A3 válido carregado
  • ☑ CSC de produção configurado
  • ☑ CFOPs e alíquotas por regime tributário
  • ☑ 4 testes em homologação aprovados
  • ☑ Impressora térmica homologada
  • ☑ Contingência testada (desligar internet e emitir)
  • ☑ Cancelamento testado em <24h

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